O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou nesta quarta-feira (14/10) que equipes mobilizadas no combate aos incêndios florestais no Amazonas flagraram pessoas iniciando focos de fogo na vegetação. O governo federal vai reforçar as investigações para identificar os responsáveis e apurar se as ocorrências fazem parte de ações coordenadas.
Esta é a segunda visita de Capobianco ao estado para acompanhar as ações de enfrentamento às queimadas. Em Manaus, o ministro participou de uma agenda na Base Aérea, onde conheceu o avião KC-390 Millennium, da Força Aérea Brasileira (FAB), utilizado nas operações de combate ao fogo. A aeronave tem capacidade para lançar 12 mil litros de água em aproximadamente sete segundos.
Após a visita, Capobianco embarcou para um sobrevoo em áreas atingidas pelos incêndios. Ele estava acompanhado dos presidentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Jair Schmitt, e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Mauro Pires.
Ação criminosa
Durante coletiva de imprensa, o ministro relatou que profissionais envolvidos nas operações receberam informações sobre pessoas que estariam provocando incêndios deliberadamente.
“Temos relatos, inclusive, de veículos, caminhonetes jogando combustível, garrafas com combustível, na floresta ou em estradas. Temos relatos de pessoas que, quando os bombeiros ou os brigadistas estão apagando o fogo, dizem que, quando eles forem embora, vão colocar fogo de novo”, afirmou Capobianco.
Segundo o ministro, o reforço das investigações busca identificar e responsabilizar os envolvidos. A apuração contará com a participação de órgãos estaduais e federais de segurança pública, incluindo a Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Capobianco destacou que ampliar a capacidade de combate às chamas não é suficiente sem medidas para impedir que novos focos sejam provocados.
Flagrante
O presidente do Ibama, Jair Schmitt, também relatou uma ocorrência registrada durante uma operação aérea. Segundo ele, integrantes da equipe que realizava lançamentos de água avistaram pessoas com objetos nas mãos enquanto iniciavam um foco de incêndio.
O piloto e o auxiliar da aeronave realizaram um voo mais baixo e conseguiram registrar a situação. A equipe também obteve as coordenadas geográficas do local, que passou a ser investigado.
O material coletado deverá auxiliar na identificação dos suspeitos e no esclarecimento das circunstâncias da ocorrência.
Schmitt explicou ainda que parte dos incêndios começa em áreas já desmatadas, onde o fogo é utilizado para limpar a vegetação derrubada. As chamas, porém, podem se espalhar para áreas degradadas e trechos de floresta, ampliando os danos ambientais.
De acordo com o presidente do Ibama, a prática também pode ser utilizada repetidamente para degradar a vegetação e avançar sobre novas áreas. Ele ressaltou que a queima de vegetação depende de autorização prévia e que, sem a licença necessária, a atividade é irregular.
Força-tarefa monitora propriedades
As ações de fiscalização e combate aos incêndios reúnem órgãos estaduais e federais. A operação conta com 112 agentes, 28 viaturas, cinco drones e uma aeronave.
Segundo as informações divulgadas durante a agenda, 49 propriedades foram notificadas e permanecem sob monitoramento. A Polícia Civil do Amazonas também instaurou 120 Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCOs).
O trabalho inclui o monitoramento de focos de calor em diferentes bases no estado, além da coleta de informações para identificar possíveis responsáveis por provocar incêndios florestais.
A estratégia é ampliar a fiscalização, reunir provas e aplicar as sanções cabíveis contra os envolvidos, em meio à crise ambiental provocada pelas queimadas no Amazonas.

