O escritor Milton Hatoum tomou posse, nesta sexta-feira (24/04), como novo imortal da Academia Brasileira de Letras, tornando-se o primeiro autor nascido no Amazonas a integrar a instituição. Ele passa a ocupar a cadeira nº 6, anteriormente pertencente ao jornalista Cícero Sandroni.
A cerimônia marcou um momento histórico para a literatura brasileira e reuniu acadêmicos, escritores e autoridades culturais.
Em seu discurso de posse, Hatoum ressaltou a importância da literatura como força humanizadora e defendeu a educação pública como base para a formação crítica da sociedade. O autor também refletiu sobre a relação entre realidade e imaginação.“Enquanto houver vida neste mundo em chamas, haverá histórias a serem narradas, lidas e ouvidas. Não vivemos apenas no real, vivemos também no imaginário, nos sonhos, na literatura, nas artes, no teatro, essa arte viva, na experiência mística. Vivemos também no devaneio”, afirmou.
O escritor foi recebido na cerimônia por Ana Maria Machado, que destacou a profundidade e a complexidade da obra de Hatoum, elogiando sua “análise sutil, cheia de camadas inteligentes e sofisticadas”.
Já o presidente da instituição, Merval Pereira, classificou o autor como “o maior escritor brasileiro vivo” e um “romancista de primeira ordem”.
Arquiteto de formação e mestre em literatura latino-americana, Milton Hatoum também atuou como professor em instituições como a Universidade Federal do Amazonas e universidades internacionais, incluindo Berkeley (EUA) e Sorbonne (França).
Com mais de meio milhão de livros vendidos, suas obras já foram traduzidas para 17 países. Entre os títulos mais conhecidos está o romance Dois Irmãos, publicado em 2000, considerado um dos principais da literatura brasileira contemporânea e adaptado para a televisão. Ele também é autor de obras como Cinzas do Norte e da trilogia O Lugar Mais Sombrio.
A posse de Hatoum na ABL representa um marco histórico para a literatura amazonense, ampliando a representatividade da região em uma das mais tradicionais instituições culturais do país e reforçando a relevância da produção literária da Amazônia no cenário nacional e internacional.

