O Amazonas já registrou 5.771 focos de calor nos primeiros nove meses de 2026, número que supera em 27% os 4.545 focos contabilizados durante todo o ano de 2025. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), são 1.226 registros a mais antes mesmo do fim de setembro.
O avanço das queimadas ocorre durante o período de estiagem e em meio à influência do El Niño, fenômeno que tem alterado o regime de chuvas e favorecido períodos de calor e tempo mais seco na região. Para o trimestre de setembro a novembro, organismos como INMET, INPE, ANA, Cemaden e SGB apontam alta probabilidade de ocorrência de um El Niño de intensidade muito forte.
Setembro concentra aumento dos focos
A situação se agravou principalmente neste mês. Até 19 de setembro, o Amazonas havia contabilizado 2.384 focos de calor, contra 624 registrados no mesmo período de 2025. O aumento é de 282,1%.
A concentração das queimadas tem contribuído para episódios recorrentes de fumaça em Manaus. Nesta quarta-feira (23), a capital registrou um dos piores episódios de qualidade do ar do ano, com oito das 12 estações monitoradas pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) indicando classificação “péssima”.
A situação ocorre após Manaus registrar, na terça-feira (22), temperatura de 38,6°C, a maior do ano segundo os dados divulgados sobre o episódio de calor.
Saúde exige cuidados durante período de fumaça
A exposição à fumaça das queimadas pode provocar irritação nos olhos e nas vias respiratórias, além de agravar problemas pulmonares e cardiovasculares. A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) alerta que crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou outras condições preexistentes estão entre os grupos mais vulneráveis.

O Ministério da Saúde recomenda que a população:
- evite atividades físicas e esforços intensos ao ar livre quando a qualidade do ar estiver ruim;
- permaneça, sempre que possível, em ambientes fechados e protegidos da fumaça;
- mantenha boa hidratação, bebendo água regularmente;
- acompanhe os alertas oficiais sobre queimadas e qualidade do ar;
- utilize máscaras N95, PFF2 ou P100, corretamente ajustadas ao rosto, caso seja necessário sair durante períodos de forte concentração de fumaça.
Pessoas com problemas cardíacos, respiratórios ou imunológicos devem manter os medicamentos prescritos disponíveis e procurar atendimento médico diante do surgimento ou agravamento de sintomas.
Rio Negro entra em vazante, mas situação ainda é considerada normal
Apesar da estiagem e da redução dos níveis dos rios, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) informou nesta quarta-feira (23) que a maior parte dos rios da Amazônia apresenta níveis considerados normais para esta época do ano.
Em Manaus, o Rio Negro marcou 20,22 metros, nesta quarta-feira (23/09) e segue em processo de descida dentro do comportamento esperado para o período. Em São Gabriel da Cachoeira, a cota foi de 8,20 metros, enquanto Barcelos registrou 3,95 metros.
No Solimões, o nível chegou a 2,82 metros em Tabatinga, 7,85 metros em Coari e 11,06 metros em Manacapuru. Já o Rio Madeira apresentou redução na velocidade de descida e permaneceu praticamente estável na última semana, com 11,07 metros em Humaitá.
O SGB, entretanto, chama atenção para a redução das chuvas. Nos últimos 30 dias, os volumes ficaram abaixo do esperado nas bacias dos rios Japurá, Juruá, Negro e Purus, entre outras. O órgão também aponta que o baixo Rio Negro e o baixo Solimões estão entre as áreas que exigem atenção nas próximas semanas.
Previsão indica chuva abaixo da média em parte do Amazonas
A previsão climática do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para setembro indica volumes de chuva abaixo da média em grande parte do Amazonas. Algumas áreas do oeste e do norte do Estado podem apresentar acumulados próximos ou acima da média.
O cenário ajuda a explicar a combinação de calor, baixa umidade, fumaça e avanço das queimadas observada em diferentes pontos do Estado neste período.
Embora os números de 2026 já tenham ultrapassado o total de focos registrado em todo o ano passado, o volume ainda está distante dos anos mais severos da série recente. Em 2024, o Amazonas contabilizou 25.499 focos de calor; em 2023 foram 19.601 e, em 2022, 21.217.
O acompanhamento dos focos, da qualidade do ar e dos níveis dos rios deve continuar nas próximas semanas, período em que a estiagem e a vazante normalmente atingem momentos importantes no Amazonas.

