A Educação de Jovens e Adultos (EJA) esteve no centro dos debates durante o 4º Encontro Presencial de Assessoria e Formação do Projeto ALFA-EJA Brasil, realizado nos dias 17 e 18 de agosto, em Coari, no interior do Amazonas.
Com o tema “A EJA e o Viver em Plenitude”, o encontro reuniu gestores, equipes pedagógicas, professores, educadores populares e representantes de movimentos sociais para discutir o papel da educação na promoção da dignidade, do pertencimento, da participação social e na construção de novas perspectivas de vida.
Coari é um dos 15 municípios do Norte e Nordeste contemplados pelo projeto, que promove encontros presenciais entre agosto e o início de setembro. A proposta é aproximar a formação das realidades locais e fortalecer as políticas públicas voltadas à EJA.
Educação para além da sala de aula
A formação parte da compreensão de que o direito à educação está diretamente relacionado a outras dimensões da vida, como trabalho digno, saúde, convivência, participação social, sustentabilidade e construção de projetos de vida.
As atividades abordaram temas como territórios educativos, identidade, pertencimento, culturas, memórias, saberes comunitários, educação popular, trabalho e renda, economia solidária, saúde integral, sustentabilidade e aprendizagem significativa.
Um dos destaques da programação foi o Seminário de Práticas, espaço destinado ao compartilhamento de experiências desenvolvidas por educadores nos municípios participantes.
Para Sonia Couto, educadora formadora do Projeto ALFA-EJA Brasil, a troca de experiências fortalece o trabalho desenvolvido nos territórios.
“Neste encontro, estamos promovendo um Seminário de Práticas, onde temos a oportunidade de fazer uma escuta aprendente e prazerosa sobre o trabalho desenvolvido pelos educadores e pelas educadoras da EJA nos 15 municípios em que o Projeto atua. As práticas relatadas revelam o alto índice de comprometimento dos professores e das professoras, gestores e gestoras e representantes dos movimentos sociais”, afirma.
“Conhecer e compartilhar o trabalho desenvolvido no chão das escolas e nos espaços de atuação dos movimentos organizados da sociedade civil contribui para o fortalecimento do trabalho docente, para o aprimoramento dos processos metodológicos e para o diálogo com a comunidade, de modo a evidenciar os desafios e as potencialidades educativas no território”, complementa.

Formação e fortalecimento das políticas de EJA
Além da formação, o encontro contou com momentos de assessoria às Secretarias Municipais de Educação dos 15 municípios participantes, com discussões e encaminhamentos sobre as ações do projeto previstas para o segundo semestre de 2026.
O 4º Encontro integra uma série de formações realizadas pelo ALFA-EJA Brasil desde 2025. As etapas anteriores trataram de temas como EJA como direito humano, práticas contextualizadas, trabalho, articulação territorial, diversidade, equidade racial e questões socioambientais.
Desenvolvido pelo Instituto de Educação e Direitos Humanos Paulo Freire, em parceria com a Petrobras, o projeto tem como objetivo fortalecer a EJA como política pública e contribuir para a garantia do direito à educação de pessoas jovens, adultas e idosas, além do enfrentamento ao analfabetismo.
Até o fim de 2027, o ALFA-EJA Brasil prevê ações presenciais e a distância em 15 municípios e atividades online em outros 62. A iniciativa inclui formações para educadores e gestores, oficinas de leitura e escrita, materiais pedagógicos, podcasts, encontros comunitários, lives formativas e a criação do Centro de Referência da EJA (CREJA).

