O Ministério da Saúde começa a disponibilizar, nesta semana, nove novos medicamentos de alta tecnologia para o tratamento de diferentes tipos de câncer no Sistema Único de Saúde (SUS). A medida contempla 13 indicações terapêuticas e deve beneficiar mais de 116 mil pacientes. Segundo a pasta, esta é a maior ampliação já realizada na oferta de medicamentos oncológicos na rede pública.
A implementação começa em 20 centros de tratamento distribuídos pelas cinco regiões do país, com previsão de expansão para as demais unidades até o fim de 2026. O investimento anual na aquisição dos nove medicamentos será de R$ 155,4 milhões.
A iniciativa faz parte de um plano do Ministério da Saúde para incorporar 23 novos medicamentos oncológicos até o fim do ano, ampliando em 35% as opções de tratamento disponíveis no SUS. O impacto financeiro total previsto para a medida é de R$ 4 bilhões por ano.
Medicamentos atendem a diferentes tipos de câncer
Os novos fármacos são destinados ao tratamento de tumores de mama, estômago, pulmão, próstata, rim, tireoide e outros tipos de câncer, incluindo linfomas, leucemia e tumores neuroendócrinos.
Entre os benefícios esperados estão o aumento da sobrevida e a melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Alguns medicamentos também são indicados após cirurgias, com o objetivo de reduzir o risco de retorno da doença.
Para viabilizar a ampliação, o Ministério da Saúde assumiu a compra direta de dez medicamentos, articulou uma ata de aquisição para outros nove, com preços menores para os estados, e ampliou os repasses destinados ao custeio de outros quatro fármacos.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a iniciativa busca modernizar a assistência oncológica e ampliar o acesso a exames, diagnósticos precisos e tratamentos adequados.
Veja os nove medicamentos incorporados
- Trastuzumabe: câncer de estômago ou da junção esofagogástrica.
- Abemaciclibe: câncer de mama em estágio inicial, com receptores hormonais positivos, HER2 negativo e comprometimento de linfonodos.
- Acetato de lanreotida: tumores neuroendócrinos.
- Pazopanibe: câncer renal de células claras metastático.
- Rituximabe: leucemia linfocítica crônica e linfomas folicular e difuso.
- Abiraterona: câncer de próstata em diferentes estágios de resistência ou sensibilidade à hormonioterapia, com ou sem metástase.
- Gefitinibe: câncer de pulmão de não pequenas células, em primeira linha de tratamento.
- TSH recombinante (alfatirotropina): câncer diferenciado de tireoide, quando há indicação de tratamento com iodo radioativo.
- Sunitinibe: câncer renal de células claras metastático e tumor estromal gastrointestinal (GIST) avançado ou metastático após falha do tratamento com imatinibe.
A primeira etapa contempla unidades de saúde em 16 estados — entre eles o Amazonas — e no Distrito Federal.
SUS terá rastreamento de câncer colorretal
Além dos novos medicamentos, o Ministério da Saúde anunciou a distribuição de 400 mil testes imunoquímicos fecais (FIT) para rastreamento do câncer colorretal em todos os estados.
O exame será destinado a homens e mulheres assintomáticos de 50 a 75 anos e ajudará a identificar quem precisa realizar colonoscopia para confirmação diagnóstica. Segundo a pasta, o teste tem precisão de 92%.
O ministério também está implementando o rastreamento do câncer do colo do útero por meio do teste de DNA-HPV. Como complemento, financiará a citologia reflexa em meio líquido, com investimento anual de R$ 2,7 milhões para mais de 131 mil testes.
Outra medida é o custeio, pelo SUS, de cirurgias videotorácicas oncológicas, utilizadas principalmente no tratamento do câncer de pulmão. A técnica minimamente invasiva pode reduzir o tempo de internação e as complicações após os procedimentos.
Proadi-SUS terá R$ 4 bilhões em investimentos
Padilha também assinou o compromisso para o próximo triênio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), que prevê R$ 4 bilhões em investimentos nos próximos três anos.
O valor equivale a cerca de um terço dos R$ 11 bilhões aplicados pelo programa nos últimos 17 anos. A iniciativa reúne hospitais de referência, como Albert Einstein, Sírio-Libanês, Oswaldo Cruz, Beneficência Portuguesa, Moinhos de Vento, A.C. Camargo e Hcor, em ações de transferência de tecnologia, capacitação profissional e melhoria da gestão pública.
SUS terá primeiro hospital 100% inteligente
Outra novidade anunciada é a implantação do primeiro hospital 100% inteligente do SUS, no complexo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), em parceria com o Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente do Brasil (ITMI).
O projeto prevê unidades de terapia intensiva com equipamentos conectados e inteligência artificial para monitoramento remoto em tempo real. A proposta também inclui a modernização dos laboratórios de anatomia patológica e o uso de telediagnóstico para reduzir o prazo de entrega dos laudos de biópsia de uma semana para até 48 horas.
Fonte: Agência Brasil

