As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros devem provocar impactos indiretos na Zona Franca de Manaus (ZFM), segundo avaliação de representantes do setor produtivo do Amazonas. Embora o efeito direto sobre o Polo Industrial seja considerado limitado, entidades alertam para possíveis reflexos na economia, como a alta do dólar, aumento dos custos de produção e pressão sobre a cadeia de suprimentos.
O governo norte-americano anunciou uma sobretaxa de 25% para diversos produtos brasileiros, mas manteve uma lista de exceções que contempla cerca de 2,1 mil itens, incluindo produtos agrícolas e componentes utilizados pela indústria aeronáutica.
Dados da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti) mostram que a relação comercial entre a Zona Franca e os Estados Unidos é marcada por um volume muito maior de importações do que de exportações. Até junho deste ano, o Polo Industrial importou aproximadamente US$ 625 milhões em produtos norte-americanos, enquanto exportou cerca de US$ 35,3 milhões.
Diante desse cenário, a secretaria avalia que a medida deve ter impacto direto reduzido sobre a atividade econômica da Zona Franca, já que a maior parte da produção das indústrias instaladas em Manaus é destinada ao mercado interno.
Apesar disso, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antonio Silva, destaca que a valorização do dólar pode elevar o custo de matérias-primas e componentes importados, afetando a competitividade das empresas. Segundo ele, a intensidade dos impactos dependerá das medidas que venham a ser adotadas pelos governos brasileiro e norte-americano nos próximos meses.
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas (Fecomércio-AM) também avalia que a elevação das tarifas pode provocar efeitos sobre diversos setores da economia, influenciando custos de produção, preços ao consumidor e até o nível de emprego. A entidade defende a busca por estratégias que reduzam os impactos e preservem a atividade econômica.
A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) informou que acompanha a evolução do cenário, mas considera prematuro estimar os efeitos da medida. Segundo o órgão, os impactos dependerão da regulamentação definitiva das tarifas, da lista final de produtos atingidos e das eventuais negociações entre Brasil e Estados Unidos.
Mesmo com expectativa de impacto direto limitado, especialistas ressaltam que empresas integradas às cadeias globais de fornecimento poderão sentir reflexos da reorganização do comércio internacional e das oscilações cambiais, fatores que podem influenciar custos, investimentos e planejamento industrial nos próximos meses.

