O Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) utilizará, pela primeira vez no Estado, o Coletor, novo sistema desenvolvido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a coleta de arquivos das urnas eletrônicas. A ferramenta será utilizada nas Eleições Gerais de 2026 em 1.582 seções eleitorais.
Do total, 318 seções da 1ª Zona Eleitoral, em Manaus, e outras 1.264 instaladas em áreas rurais e rurais indígenas do interior contarão com a nova solução.
A principal mudança está no modo de operação. Diferentemente do modelo anterior, que exigia a instalação ou execução de um programa específico em um computador, o Coletor funciona pela internet, diretamente em um navegador. Dessa forma, a coleta pode ser feita em diferentes dispositivos conectados à rede, inclusive celulares, desde que seja possível conectar a mídia que contém os arquivos da urna.
Como funciona
O Coletor é uma aplicação web prevista na Resolução TSE nº 23.751/2026. O sistema realiza a coleta dos arquivos das urnas e os envia para um repositório externo administrado pelo TSE. Depois, outra ferramenta, o Transportador Web, acessa esses arquivos e faz a transmissão para a totalização.
Os arquivos gerados pelas urnas possuem assinatura criptografada, mecanismo que permite verificar sua procedência. Após o encerramento da votação, também é impresso o Boletim de Urna, com informações como data, horário e identificação do local de geração do arquivo.
Segundo o secretário de Tecnologia da Informação do TRE-AM, Kleber Merklein, a mudança deve simplificar o trabalho das equipes responsáveis pela coleta dos dados.
No sistema anterior, os operadores precisavam preparar os computadores para executar um programa específico, o que envolvia procedimentos técnicos e infraestrutura compatível. Com o Coletor, a etapa de coleta passa a ser realizada de forma mais simples e independente da transmissão.
Para as Eleições 2026, o TRE-AM também utilizará 420 antenas Starlink Mini em localidades de difícil acesso. A tecnologia deverá auxiliar na comunicação e no encaminhamento dos dados após o encerramento da votação.
De acordo com o tribunal, a conexão via satélite funciona apenas como meio de transporte das informações e não altera os mecanismos de segurança dos arquivos produzidos pelas urnas, que permanecem protegidos por assinatura criptografada.
A estratégia será concentrada principalmente em locais onde as distâncias e as dificuldades de conectividade tornam a logística eleitoral mais complexa.
As seções que utilizarão o Coletor precisam ser previamente cadastradas. No dia da eleição, a ferramenta aceitará apenas arquivos provenientes das seções registradas no sistema.
A implantação do novo recurso, porém, não elimina as demais soluções utilizadas pela Justiça Eleitoral. O TRE-AM manterá alternativas de contingência, como o JEConnect, o Sistema Transportador e o Transportador Web, conforme as necessidades de cada local.
A medida segue a orientação do TSE para que os tribunais regionais não dependam exclusivamente do Coletor. A estreia no Amazonas permitirá avaliar o funcionamento da ferramenta em diferentes condições, especialmente em regiões onde a logística de transporte e a conectividade representam desafios.
As Eleições Gerais de 2026 terão primeiro turno em 4 de outubro e, onde houver segundo turno, em 25 de outubro.

