A cidade de Parintins vem ganhando novas cores e narrativas por meio da quinta edição do projeto Parintins Galeria Cidade Aberta, promovido pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa. Os murais espalhados pelas ruas do município têm transformado espaços públicos em verdadeiras galerias a céu aberto, valorizando a memória, as tradições e a identidade cultural amazônica.
As obras abordam temas ligados ao cotidiano da população amazônica, como a cultura da juta, os modos de vida ribeirinhos, os saberes indígenas, a ancestralidade e a força das mulheres da floresta. Além de embelezar a cidade, os painéis reforçam o sentimento de pertencimento e aproximam moradores e visitantes das histórias que ajudam a construir a identidade cultural de Parintins.
Entre os destaques está o mural “Juteiro da Amazônia”, do artista Mag Lenilson, que resgata um dos períodos econômicos mais importantes da história local. A obra homenageia os trabalhadores da juta, atividade que movimentou a economia da região durante décadas e marcou a trajetória de inúmeras famílias parintinenses.
Segundo o artista, o mural também carrega memórias pessoais. “Meu pai participou da produção da juta, assim como muitos moradores daqui. Transformar isso em arte é uma forma de preservar essa história e deixar esse legado visível para as novas gerações”, destacou.
Já o mural “Entre Águas e Raízes”, assinado pelos artistas Inácio Paiva e João Ferreira, retrata a relação das famílias ribeirinhas com os rios e a floresta. A obra apresenta pescadores, mulheres preparando farinha e animais típicos da região, valorizando a conexão entre o homem amazônico e a natureza.
“É uma vivência que carrego desde criança. Como ribeirinho, quis trazer para o mural aquilo que faz parte do nosso cotidiano”, afirmou Inácio.
A força feminina também ganhou protagonismo no projeto. No mural “Matriarcas da Floresta: cultura viva da Amazônia”, o artista Pito Silva homenageia mulheres amazônicas responsáveis por manter tradições e costumes vivos dentro das famílias.
Inspirado na própria mãe, o artista retrata elementos comuns da cultura do interior, como o preparo da paçoca, da crueira e o cuidado com os alimentos tradicionais. “Não é só sobre retratar tarefas do cotidiano, mas destacar a importância da mulher como guardiã da cultura amazônica”, ressaltou.
Outro destaque é o mural “Yube e o ventre da sabedoria: a trama da mulher ancestral”, criado pelas artistas Day Cruz e Kamy Wará. A obra mergulha nas histórias do povo Huni Kuin e simboliza a transmissão dos saberes ancestrais entre gerações femininas, utilizando a serpente Yube como elemento central da narrativa visual.
A ancestralidade indígena também aparece no mural “Artefatos”, do artista Andrew Viana, inspirado em registros arqueológicos encontrados em regiões de Parintins, como a Serra da Valéria. A proposta é aproximar a população da história dos povos originários e reforçar a importância da preservação cultural.
Além do impacto visual, o projeto fortalece a democratização do acesso à arte e incentiva o reconhecimento das raízes amazônicas, especialmente em áreas periféricas da cidade.
Com os murais espalhados pelas ruas, Parintins transforma seus espaços urbanos em ambientes de memória, identidade e valorização cultural, consolidando a arte urbana como ferramenta de preservação da história amazônica.

