A promessa da construção do novo Porto da Manaus Moderna reacendeu a esperança de passageiros, trabalhadores e comerciantes que convivem diariamente com a estrutura improvisada e as dificuldades do principal terminal hidroviário de Manaus. A obra, prevista para ser anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante visita à capital amazonense na próxima semana, deve receber investimento de mais de R$ 900 milhões.
O projeto prevê a construção de um moderno terminal de passageiros, com capacidade para atender mais de 4 mil pessoas por dia, além de áreas destinadas a cargas, fiscalização, estacionamento e espaços de convivência.
Hoje, quem circula pela Manaus Moderna enfrenta problemas como rampas improvisadas, falta de acessibilidade, trânsito caótico, ausência de estrutura adequada para alimentação e dificuldades no embarque e desembarque, principalmente para idosos e pessoas com deficiência.
Há 23 anos trabalhando como ambulante na chamada “balsa amarela”, Marcelo Magalhães acredita que a obra pode transformar a realidade do local. “Vai melhorar para todo mundo. As condições são as mesmas desde quando comecei aqui. Nada melhora, só piora. Se vier para trazer benefício, o povo apoia”, afirmou.
A dona de casa Fabiana Maia, que acompanhava os pais idosos em uma viagem para Itacoatiara, destacou os desafios enfrentados diariamente pelas famílias que utilizam as balsas. “É muito difícil para idosos e cadeirantes. Meu tio tem Alzheimer e Parkinson, e descer essa rampa é um sofrimento. A gente paga taxas, mas o serviço é muito precário”, reclamou.
Segundo ela, a nova estrutura precisa priorizar acessibilidade e segurança. “Tem que pensar nos idosos, nos cadeirantes e nas pessoas com dificuldade de locomoção. Hoje muita gente precisa carregar cadeira de rodas no braço para conseguir embarcar”, disse.
Quem também defende melhorias é Antônio Beckman, morador de Manaus que costuma ir ao porto buscar encomendas vindas do interior. Para ele, a cidade já deveria contar há muito tempo com um terminal moderno. “Manaus é uma cidade grande e esse porto é horrível. Precisava ser moderno, organizado e mais limpo. É uma vergonha para quem chega aqui”, criticou.
Antônio também sugeriu a implantação de um posto de atendimento médico para passageiros vindos do interior em busca de tratamento de saúde na capital.
“Muita gente chega doente e precisa correr para hospital longe daqui. Um pronto atendimento ajudaria muito”, comentou.
Além da precariedade da estrutura, usuários também reclamam do trânsito intenso e da circulação de caminhões durante o dia no entorno da Manaus Moderna.
Proprietário de embarcação, Márcio Oliveira acredita que a nova estrutura vai beneficiar tanto os passageiros quanto os trabalhadores do setor hidroviário.
“Com mais infraestrutura, melhora para quem trabalha e para quem viaja. Hoje falta restaurante, lanchonete e espaço adequado para os passageiros”, afirmou.
A moradora da comunidade Costa do Tabocal, Elielza Queiroz, que viaja frequentemente para Manaus para tratamento de saúde, também comemorou a possibilidade de um novo porto. “Vai ser muito melhor para embarcar com as coisas e viajar com mais segurança. Hoje é muito difícil”, disse.
O projeto do novo Porto da Manaus Moderna prevê a construção de uma estrutura em uma área de aproximadamente 38 mil metros quadrados, dividida entre a Feira da Banana e a Feira da Manaus Moderna. O terminal deverá receber embarcações de grande porte, como ferry boats, além de contar com áreas modernas de embarque e desembarque.
Apesar da expectativa positiva, alguns trabalhadores ainda demonstram desconfiança quanto à execução da obra. O motorista Jackson da Silva, que atua diariamente na área, afirma já ter ouvido promessas semelhantes em outras ocasiões. “Falam nisso há muito tempo. Espero que agora realmente saia do papel”, comentou.
A expectativa é de que o novo terminal represente um avanço na mobilidade fluvial da capital amazonense, oferecendo mais conforto, segurança e dignidade para milhares de pessoas que dependem diariamente do transporte hidroviário no Amazonas.

