O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a contar com uma nova técnica cirúrgica capaz de tratar glaucoma e catarata em uma única intervenção. A incorporação foi oficializada pelo Ministério da Saúde e publicada no Diário Oficial da União na quinta-feira (17/09).
O procedimento permite realizar a remoção do cristalino, afetado pela catarata, e atuar no sistema de drenagem do olho para ajudar a controlar a pressão intraocular relacionada ao glaucoma.
A medida foi proposta pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE) e recebeu parecer favorável da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) em agosto.
Quem poderá fazer o procedimento
A nova técnica será incorporada ao tratamento de pacientes com glaucoma primário de ângulo aberto em estágio leve a moderado.
Entre as possibilidades estão a goniotomia excisional, realizada por meio de uma pequena incisão na córnea, e a trabeculotomia transluminal, que utiliza um microcateter ou fio cirúrgico para acessar o canal natural de drenagem do olho.
Segundo o Ministério da Saúde, o procedimento é menos invasivo em comparação com algumas alternativas utilizadas atualmente e pode contribuir para uma recuperação mais rápida e para o controle da pressão dentro do olho.
Economia para o SUS
Além dos possíveis benefícios clínicos, a incorporação da nova técnica também deve reduzir os custos do tratamento na rede pública.
De acordo com estimativas apresentadas pela Conitec, a utilização da goniotomia excisional em substituição ao implante de drenagem conhecido como iStent poderá gerar uma economia de aproximadamente R$ 22,4 milhões no primeiro ano.
A projeção chega a R$ 93,2 milhões no quinto ano, com uma economia acumulada estimada em R$ 276 milhões no período.
Glaucoma e catarata
O glaucoma é uma doença que afeta o nervo óptico e pode provocar perda progressiva da visão. Em muitos casos, a evolução é silenciosa, principalmente no glaucoma primário de ângulo aberto.
Segundo dados da Conitec, a doença pode atingir até 3% dos brasileiros com mais de 40 anos. O glaucoma primário de ângulo aberto representa a maior parte dos diagnósticos.
Já a catarata ocorre quando o cristalino, estrutura responsável pela passagem e focalização da luz dentro do olho, perde sua transparência. A alteração reduz gradualmente a capacidade visual e é mais frequente entre pessoas idosas.
Na rede pública, o tratamento do glaucoma começa, em geral, com medicamentos para controlar a pressão intraocular. Dependendo da resposta do paciente, podem ser indicados procedimentos a laser ou cirurgias.
Com a nova incorporação, pacientes que apresentarem as condições previstas no protocolo poderão ter as duas doenças tratadas durante o mesmo procedimento cirúrgico.

