O Teatro Amazonas, em Manaus, recebeu oficialmente o título de Patrimônio Mundial Cultural da Unesco. O certificado foi entregue nessa terça-feira (03/11) ao governador Roberto Cidade pela representante da organização no Brasil, Marlova Noleto. Além disso, o reconhecimento contempla o Theatro da Paz, em Belém, e marca o primeiro título dessa categoria para a Região Norte.
Inaugurado em 1896, durante o ciclo da borracha, o Teatro Amazonas é um dos principais símbolos históricos e culturais do Amazonas. Além do monumento, a chancela inclui o Largo de São Sebastião, em Manaus, e a Praça da República, em Belém. Ambos são espaços públicos ligados aos teatros reconhecidos.
Teatro Amazonas terá reforma integral
Durante a cerimônia, Roberto Cidade afirmou que pretende autorizar a reforma integral do Teatro Amazonas antes do fim de seu mandato. Segundo ele, o espaço não passa por uma intervenção dessa dimensão desde a década de 1990. Para isso, a iniciativa está sendo discutida com a Secretaria de Estado de Cultura (SEC).
“Antes de deixarmos o governo, iremos autorizar a reforma integral do Teatro Amazonas, algo que não acontece desde a década de 1990. Certamente, o governador e a vice-governadora eleitos terão o mesmo olhar sensível para essa obra, que é motivo de orgulho para todos os amazonenses”, anunciou o governador.
Além da reforma, Cidade defendeu maior participação das empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) no financiamento de projetos culturais do Amazonas. Nesse sentido, também argumentou que os recursos da Lei Rouanet devem beneficiar artistas e produtores culturais locais.
Reconhecimento da Unesco destaca história da Amazônia
O título reconhece a importância histórica e social dos monumentos para a compreensão da formação cultural da Região Norte. Segundo o presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), os dois teatros representam um período marcado pelo ciclo da borracha. Da mesma forma, ajudam a compreender as transformações econômicas e sociais da Amazônia.
Por sua vez, a representante da Unesco no Brasil, Marlova Noleto, destacou que o reconhecimento internacional atribui aos monumentos valor universal excepcional. Com essa inclusão, o Brasil passa a contar com mais um conjunto reconhecido como Patrimônio Mundial. Além disso, este é o primeiro reconhecimento dessa categoria na Região Norte.
“Esses conjuntos arquitetônicos trazem a beleza do ciclo da borracha, de uma época de glória para toda a Amazônia. Portanto, inscritos nessa lista do Patrimônio Mundial, eles passam a ser também reconhecidos pelo mundo como um patrimônio que pertence a toda a humanidade. A importância do título é justamente reconhecer o valor excepcional e universal que determinado lugar tem. Este é o 26º título de Patrimônio da Humanidade no Brasil e o primeiro na Região Norte”, declarou.
Processo de reconhecimento começou em 2010
A conquista do título de Patrimônio Mundial Cultural da Unesco é resultado de um processo iniciado em 2010, quando ocorreu a primeira visita da organização a Manaus.
Posteriormente, em 2015, os teatros entraram na Lista Indicativa do Brasil. Já entre 2023 e 2024, foram realizadas oficinas técnicas para preparar o dossiê oficial, que foi entregue em janeiro de 2025.
Por fim, o reconhecimento foi aprovado em 27 de julho de 2026, durante reunião do Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco, em Busan, na Coreia do Sul.
Com a chancela, Manaus amplia sua visibilidade internacional e fortalece o turismo cultural. Além disso, o reconhecimento abre oportunidades de cooperação técnica para a preservação dos monumentos.
Orgulho entre amazonenses
A conquista também foi celebrada pelo público presente à cerimônia. Entre os participantes, a autônoma Elianeide Albuquerque, de 63 anos, destacou a importância do título para a cultura e a identidade do Amazonas.
Frequentadora do Teatro Amazonas, ela afirmou que o reconhecimento representa um marco para o Estado. Além disso, ressaltou a alegria de ver a cultura local ganhar ainda mais visibilidade internacional.
A programação comemorativa contou ainda com o espetáculo cênico-musical “Sons do Amazonas”. A apresentação reuniu a AmazonasBand, o Balé Folclórico do Amazonas e artistas locais.
Além do espetáculo, o evento teve uma Feira de Economia Criativa no Largo de São Sebastião. A solenidade também reuniu representantes do Governo do Amazonas, da Unesco, do Iphan, do Ministério das Relações Exteriores, da Prefeitura de Manaus e do Pará.

