A Força Nacional terá reforço no efetivo em Mato Grosso do Sul para ampliar a proteção de aldeias indígenas Guarani Kaiowá. A medida foi anunciada nesse sábado (31/10) pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, durante visita a comunidades na fronteira com o Paraguai, após denúncias de violência contra indígenas na região.
A presença das forças de segurança foi intensificada depois de relatos de ameaças e outros episódios de violência registrados após o segundo turno das eleições. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) contabilizou mais de 30 casos.
Segundo o ministro, além do aumento do efetivo, a Força Nacional adotará um sistema de monitoramento chamado “Minuto a Minuto”, que prevê a permanência de equipes em áreas de operação e o deslocamento rápido diante de ocorrências com indícios de crime.
“Eles estarão sempre no terreno, sempre na área de operações disponíveis para se deslocar onde qualquer ocorrência com aparência criminosa ou severa aconteça”, afirmou Lima e Silva.
O acionamento poderá ser feito pela Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF) ou pelas forças estaduais. O sistema também deverá reunir imagens e informações sobre as ocorrências, com identificação de possíveis autores e elementos que indiquem a materialidade dos crimes, quando possível.

Ameaças após as eleições
A comitiva ministerial visitou as aldeias Sassoró, em Tacuru, e Taquapery, em Coronel Sapucaia, na fronteira com o Paraguai. A viagem ocorreu após denúncias de violência contra indígenas ganharem repercussão nas redes sociais.
Na aldeia Sassoró, moradores denunciaram uma ameaça de envenenamento da água, segundo um áudio que circulou em grupos de mensagens de Tacuru. A suspeita é de envolvimento de um servidor público do município.
O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, informou que a Polícia Federal já ouviu suspeitos e que o monitoramento da qualidade da água será reforçado.
Terena afirmou que o governo recebeu 10 denúncias e, após uma análise preliminar, identificou quatro casos em Mato Grosso do Sul. Segundo ele, apenas a ameaça de envenenamento da água apresenta, até o momento, ligação direta com crime político.
“Os outros atropelamentos até o momento não, mas é claro que não serão descartados”, disse o ministro, ao ressaltar que as denúncias ainda precisam ser apuradas.
Programa de proteção
O Ministério dos Direitos Humanos informou que vai disponibilizar o Programa de Proteção às vítimas dos episódios de violência. De acordo com a pasta, mais de 80 indígenas de Mato Grosso do Sul já estão incluídos no programa.
Além de Wellington César Lima e Silva, participaram da visita os ministros Eloy Terena, dos Povos Indígenas, e Janine Mello, dos Direitos Humanos.
Fonte: Agência Brasil

