Após quase três anos de interrupção provocada pela guerra, estudantes da Faixa de Gaza voltaram às aulas presenciais no último sábado (19/09), marcando o início do ano letivo de 2026/2027. Cerca de 541 mil alunos participam da retomada, segundo o Ministério da Educação e do Ensino Superior palestino.
A volta, porém, ocorre em condições muito diferentes das vividas antes do conflito. Escolas foram destruídas ou danificadas, enquanto outras ainda são utilizadas para abrigar famílias deslocadas. Por isso, parte dos estudantes passou a frequentar tendas, salas improvisadas e estruturas temporárias, muitas vezes sem carteiras, livros e outros materiais básicos.
Em Nuseirat, no centro de Gaza, crianças participaram de uma cerimônia de retorno às aulas e cantaram antes do início das atividades. Em algumas unidades, os alunos precisaram se sentar no chão. Em Khan Yunis, estudantes também começaram o ano letivo em tendas com pouca ventilação.
Segundo o planejamento do ministério, foram criados cerca de 700 pontos de ensino presencial, além de 25 escolas temporárias. O ensino virtual também continua para estudantes que não conseguem chegar às unidades presenciais.
Infraestrutura destruída
A situação da rede de ensino continua crítica. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Educação palestino e reportados pela Reuters, mais de 85% das instalações de escolas públicas estão inoperantes. Algumas foram completamente destruídas, enquanto outras estão localizadas em áreas que não podem ser utilizadas para atividades educacionais.
Dados do UNICEF apontam que aproximadamente 98% dos prédios escolares de Gaza foram danificados desde outubro de 2023, sendo que mais de 93% precisam de grandes obras de recuperação ou reconstrução completa.
A guerra também provocou perdas entre estudantes e profissionais da educação. Autoridades do Ministério da Educação de Gaza afirmam que cerca de 22 mil estudantes e mais de 770 trabalhadores do setor educacional morreram, incluindo 532 professores.
Mesmo diante das dificuldades, estudantes e professores retornaram às atividades. Para muitos, a retomada representa uma tentativa de recuperar parte da rotina perdida durante os anos de conflito.
A própria pasta da Educação palestina classificou as estruturas alternativas como uma medida emergencial e afirmou que o objetivo é reconstruir as escolas danificadas e garantir, futuramente, o retorno integral ao ensino presencial regular.

